segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Quem me dera

Quem me dera aprender a viver intensamente cada segundo da minha existência, sem olhar para os lados e para as pessoas ao meu redor, assim como as crianças que brincam, amam, perdoam e vivem na sua singela liberdade, sem preocupar-se com os olhares questionadores da família, da sociedade e dos inescrupulosos da mídia.

Ah! Quem me dera poder correr, brincar, amar sem esperar nada em troca, simplesmente amar e ter coragem de exteriorizar todas as palavras e sentimentos. Cantar e declarar que a vida é bela e a felicidade construída na simplicidade das “pequenas coisas e atos”, como o abraço, o cafuné, o sorriso, o contemplar do céu, vendo o formato das nuvens tentando comparar ou decifra-las, o brilho das estrelas e o luar.

Quem me dera romper os cárceres, que aprisionam a vida, os temores, as angústias, o corre-corre incessante em busca de um bem material, quando temos perdido o maior deles, o existencial. Passando pela vida solitária, triste, achando que a vida é ter e deixando de lado o nosso ser, que apesar de imperfeito, não raras vezes é cruel, insano, ainda assim é o maior tesouro que possuímos.

Quem me dera ouvir a voz daqueles que gritam em seus mundos de problemas, depressão, estresse e ajuda-los a entender que a vida é única e devemos encontrar buscar forças para sairmos da masmorra interior.

Quem me dera possuir uma sensibilidade aguçada para entender e decifrar os sinais daqueles que clamam por um instante de atenção, de alguém que os ouça e ame sem criticar seus sentimentos.

Quem me dera poder ajudar as dezenas de pessoas que atravessam minha vida, fazendo nascer esperança e amor pela existência, em cada pessoa triste, angustiada. Mostrar que a vida ao contrário do que dizem ela não é complicada, é simples, apenas exigente, para que não matemos ou deixemos que assassinem nosso eu, a criança habitada em nós.

Quem me dera extinguir a fome, o ódio, as armas, as doenças físicas e da alma, a prepotência, o orgulho, a intolerância, as fobias, os pânicos....

Como não posso mudar “o mundo”, mudo a minha postura de viver, sendo humana com o próximo, amiga, sendo eu, perdendo diariamente os medos de mostrar quem sou, os erros e principalmente declarar-me, doar-me, na certeza do hoje e do enigma do amanhã e assim começo a perceber que as pessoas que apelidam-me de louca, simplesmente são aquelas que ainda não saíram da platéia para atuar na peça da sua própria vida.


Stelina Vasconcelos
03/04/06
Graduanda em pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia

Stelina Vasconcelos

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Uma eterna apaixonada... Amo aprender com as experiências...